O embrião do melhoramento genético no Brasil

Conheça melhor a primeira iniciativa de pesquisa em genética de gado de corte da Embrapa

Criada em Campo Grande em 1977, a unidade da Embrapa Gado de Corte tem a missão de viabilizar soluções sustentáveis para a cadeia produtiva da pecuária de corte no país. Com esse foco de trabalho, seus profissionais vêm desenvolvendo ao longo dos anos diversas iniciativas de pesquisa – uma delas tem especial relevância para os avanços de melhoramento genético do país e programas como o Geneplus.

Em 1978, o pesquisador Antônio Rosa do Nascimento trabalhou no primeiro projeto de pesquisa de parâmetros genéticos da Embrapa. “Naquela época como ainda não tínhamos rebanho próprio da Embrapa, fomos procurar rebanhos filiados da ABCZ em Mato Grosso do Sul”, relembra Antônio Rosa. Estava criado o primeiro convênio técnico científico que buscava analisar dados genéticos dos criadores. “Era inicialmente uma ação puramente de pesquisa”, complementa Antônio Rosa. “A Embrapa contribuía com a disponibilização de pesquisadores e a ABCZ com a coleta de dados. Fazíamos avaliação dos dados e retornávamos para os criadores com o ranking dos animais”, explica.

No início da década de 80, Luiz Otávio e Paulo Nobre também passaram a fazer parte do time de pesquisa da Embrapa Gado de Corte.“Conversando com Luiz Otávio percebemos que havia a urgente necessidade de tornar o programa uma iniciativa nacional”, explica Antônio Rosa. O projeto ganhou novas dimensões, saindo do âmbito regional e conquistando alcance em todo país.

“O produto imediato da parceria Embrapa ABCZ foi a publicação do primeiro resultado nacional de avaliação genética de touros. A diretoria da Embrapa na época apoiou o projeto designando um time de processamento de dados para integrar a equipe, liderado por Hércules Prado” relembra Luiz Otávio. O trabalho dessa equipe teve como resultado o SISZEBU, sistema que era o primeiro embrião Geneplus, fornecendo resultados personalizados a cada um dos rebanhos integrantes da parceria Embrapa ABCZ.

“Embora simples, essa inciativa de geração de relatórios e avaliação genética de rebanhos específicos fornecia um importante apoio aos criadores”, afirma Paulo Nobre. Com o desenvolvimento de novos sistemas de modelagens, começou o trabalho para lançar um Sumário de Touros em raças Zebuínas. O projeto foi então reconhecido oficialmente pelo Ministério da Agricultura como gestor dessa base de dados e passou a produzir os Sumários Nacionais de Touros das Raças Zebuínas.

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Um desenvolvimento natural do projeto era tornar mais completa a avaliação do rebanho, incluindo não apenas touros como também matrizes. “Mas os criadores não estavam preparados. Podemos dizer que ainda estavam ‘ruminando’ os resultados do Sumário de Touros e não tinham foco nas matrizes”, explica Antônio Rosa.

Para Paulo Nobre, a ação poderia ter ainda mais impacto se evoluísse para uma outra forma de atuação. “Já naquela época eu sabia que alguns atendimentos particulares estavam sendo feitos a criadores como uma forma de assessoria e não puramente pesquisa. Isso começou a me estimular a ter de fato uma empresa de assessoria que atendesse todas as áreas de produção de gado de corte. Seria formada por um grupo com diferentes especialidades”.

No início dos anos 90 as avaliações genéticas já eram muito bem aceitas pelos criadores e a demanda por um serviço e não apenas por pesquisa era crescente. “Em 1994, quando já não estava mais na Embrapa há algum tempo, procurei o Dr Luiz Otávio, que atuava como pesquisador daquela unidade há vários anos, para dizer que estava pronto para criarmos juntos uma empresa”, conta Paulo Nobre. “Iniciamos a nossa proposta de trabalho e logo vimos que seria imprescindível desenvolver uma plataforma de coleta de dados para apresentar aos nossos futuros clientes como forma de estimular a adesão”, completa. Após um extenso trabalho, dois anos depois o Geneplus seria lançado.

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“Temos orgulho de dizer que com o início de trabalho de avaliação genética deixamos nossa contribuição para que o Brasil saísse de uma condição dependência (até mesmo para consumo interno de carne) para se tornar um dos maiores produtores mundiais. O melhoramento genético, ao lado da evolução em nutrição e manejo reprodutivo, foi muito importante para essa conquista”, afirma Antônio Rosa. “Hoje não existe uma central de inseminação que não use resultados genéticos e nem um criador que não publique seus dados de avaliação ao promover um leilão”, comemora.

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